02 setembro 2009

Amizade e o Amor....!


A amizade e o amor já estão presentes há cinco anos. Com os amigos pode-se brincar, fazer-lhes confidências, contar segredos. Mas, da mulher que nos agrada, só queremos que olhe para nós e sorria. A amizade é logo sinónimo de confiança e de segurança, o amor é logo sinónimo de risco. E, durante toda a vida, amado e amigo são a nossa companhia mais íntima. A presença deles tranquiliza-nos, enche-nos o coração, ajuda-nos a enfrentar as dificuldades. Muitas vezes, após uma longa intimidade, a pessoa amada também se torna o amigo mais íntimo, aquele a quem se fazem confidências, junto do qual enfrentamos todos os problemas da vida.


O homem também tem alguém a quem revela outros aspectos da sua personalidade, e que o ajuda a fugir à rotina e lhe dá informações e conselhos. A vida dos nossos amigos é sempre uma fonte de ensinamentos para nós.É exactamente por isso que, sem amigos desses, nos sentimos exilados. É que o exílio não é apenas sermos obrigados a viver longe da nossa pátria, da nossa cidade, da nossa gente; é sobretudo estarmos separados das pessoas com quem podemos contar sempre, que nos são indispensáveis nas dificuldades. Viver no exílio pode ser muito amargo, mas suportável se tivermos connosco os nossos amigos do peito. É verdade que os filhos são importantes, mas não podemos confiar-lhes as nossas preocupações e angústias. Ao lado dos filhos, temos de ser sempre fortes; com os amigos podemos ser fracos, tristes, inseguros e até mesmo desesperados; podemos cair ao chão que eles ajudam-nos a levantarmo-nos. Augusto tinha enormes crises de ansiedade, mas tinha ao seu lado Agripa, a quem confiava o poder supremo. E que teria feito Marx sem Engels, que o sustentava e que, no final, até ajudou a publicar o livro "O Capital"?Há casais que não se apercebem da importância que pode ter um amigo. Orgulhosos da sua exclusividade, consideram--nos estranhos e chegam mesmo a afastá-los. Em vez de se reforçar, a relação de casal fica mais fraca, pois nenhum pode dar ao outro o mesmo que o amigo dava. Por vezes, basta um amigo não humano. Recordo- -me de uma mulher que obrigou o marido a ver-se livre de um cão rafeiro ao qual se tinha afeiçoado. Ele nunca se conformou com a ausência do amigo.


Francesco Alberoni

Sociólogo, escritor e jornalista

2 comentários:

Anónimo disse...

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".

Fernando Pessoa
BB

"AnnA" disse...

Gosto muito da imagem....

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